Castanheira de Pêra concelho lindíssimo, situado em plena Serra da Lousã, no qual se pode disfrutar, além do ar puro, do mel e da gastronomia, diferentes actividades ligadas à natureza tais como percursos pedestres e as praias fluviais, o visitante pode também disfrutar de diversos pontos de interesse para visitar.
O primeiro documento histórico, referente a Castanheira de Pêra data do Séc. XVI, e refere-se a uma sentença de Afonso V sobre os baldios do Coentral. Mas desde a ocupação muçulmana e consequente invasão romana, que se encontram vestígios nesta região da Serra da Lousã, como o próprio nome deste concelho que segundo conta a maravilhosa Lenda da Princesa Peralta, no séc. I A.C., durante uma viagem da Lousã para a Sertã fugindo da invasão romana, ao chegar a este local a princesa muçulmana vê morrer a sua aia e amiga, o desgosto é tal que Vénus com pena da sua desdita, transforma todo o seu séquito em montes e a princesa em sereia para eternamente guardarem a sepultura de Antígona de Peralta, cuja lápide vai dar origem ao nome da Ribeira Pêra e do lugar de Pêra onde supostamente a lápide foi encontrada.
Ao longo dos séculos outras actividades floresceram nesta região devido ao ambiente geográfico, ao frio intenso e às características da Serra da Lousã surgiram os neveiros que forneciam a corte já no séc. XVIII e até surgirem os frigoríficos, Neveiros que ainda hoje podem ser visitados.
E graças aos diversos ribeiros e às boas pastagens, desenvolveu-se a pastorícia e as artes de tosquiar, fiar, cardar, pisoar e tingir, que deram origem à Indústria de Lanifícios. Após a primeira fábrica criada em 1860, muitas outras surgiram, de forma a tornar a região no terceiro centro regional da Indústria de Lanifícios no nosso país.
Mas o impiedoso progresso quase acabou com ambas as actividades, e digo quase porque que tenhamos conhecimento somos só três os resistentes, na área das confecções, os que subsistimos, numa luta diária para não só manter a tradição, como preservar os postos de trabalho, numa região à muito afectada pelo desemprego.
No nosso caso é esse progresso que nos sustenta, é a nanotecnologia dos tecidos que usamos, as TIC de que nos servimos para trabalhar e para quem trabalhamos e a imensa vontade de evoluir, crescer e acompanhar os tempos, mas principalmente o sonho de ver ressurgir nesta região tão especial e sábia, o esplendor que já viveu.